12º Simpósio ImplantNews

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Embora a Implantodontia tivesse se firmado como especialidade a partir da descoberta do princípio da Osseointegração, a reabilitação oral de pacientes desdentados é uma prática que caminha lado a lado com a evolução da Odontologia. Já no século VIII, os incas faziam implantes em forma de cunha, a partir de conchas e válvulas marítimas, um experimento sem o aval científico. Das primeiras tentativas à era moderna, caracterizada pela pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, o design dos implantes evoluiu de forma acentuada, garantindo eficiência mecânica, funcional e estética.

Resumo:

O advento dos implantes osseointegrados, em 1965, revolucionou as técnicas de reabilitação oral para pacientes desdentados totais ou parciais. No entanto, foram precisos quase 20 anos para que o princípio fosse largamente aceito pela comunidade internacional. Pesquisas e estudos foram exaustivamente empregados pelo professor Brånemark para comprovar a eficácia do implante que hoje se encontra totalmente consagrado. De lá para cá novos desenhos de componentes foram e vem sendo desenvolvidos, chamando a atenção para a importância dos testes e evidências científicas.

Para tratar desse assunto a revista ImplantNews realizou, no dia 25 de novembro, o 12º Simpósio ImplantNews, que teve lugar no auditório da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília, no Distrito Federal, reunindo especialistas, professores, leitores e membros do Conselho Científico. Para debatê-lo foram convidados Luciano Teles Gebrim, especialista e mestre em Implantodontia; Rander Pereira Avelar, especialista em Implantodontia e mestre em Ciências da Saúde; James Nery, especialista em Periodontia e Implantodontia e mestre em Prótese Dentária; Eber Luis de Lima Stevão, mestre e doutor em Cirurgia Bucomaxilofacial; e Hiron Andreaza da Cunha, especialista e mestre em Implantodontia. O mediador foi Luiz Antonio Gomes, diretor responsável da revista ImplantNews.

O encontro foi aberto pela doutora Dirce Guilhem Matos, vice-diretora da Faculdade de Ciências da Saúde, que agradeceu a presença de todos e ressaltou a importância da iniciativa: “A parceria entre o setor público e privado é fundamental na troca de informações e experiências, assim a Universidade de Brasília está sempre de portas abertas para estabelecer intercâmbios e pesquisas que visem contribuir para o crescimento da sociedade em termos de desenvolvimento científico e tecnológico”.

O primeiro simposiasta a se apresentar foi Luciano Gebrim, que fez uma retrospectiva e análise das micro e macroestruturas dos implantes com a finalidade de mostrar materiais e superfícies mais adequados aos procedimentos, em termos de princípios. Pela complexidade de estruturas existentes, Luciano centrou-se em quatro aspectos da microestrutura: ele destacou composição química, energia superficial, rugosidade e potencial químico; já dentro da macroestrutura, a abordagem foi para comprimento, forma, plataforma e tipo de conexão. “Quando colocamos o implante no paciente precisamos analisar dois itens: o domínio do profissional sobre um determinado sistema e há quanto tempo utiliza o mesmo com sucesso (curva de aprendizado”, comenta.

Em sua apresentação, Rander Avelar lembrou em linhas gerais a trajetória dos implantes na sociedade. Mas para ter sucesso nos implantes é necessário fazer planejamento visando posicionar o implante de tal forma que os tecidos perimplantares possam ter saúde. Segundo ele, para proporcionar um tratamento estético, função adequada e longevidade, o aspecto mecânico do sistema é essencial. “Para casos múltiplos, os hexágonos externos apresentam excelente resultado. Têm limitações, sem dúvida nenhuma, mas ainda assim será utilizado por muito tempo. No entanto, temos que evoluir e deixar a mente aberta para que possamos, com responsabilidade, absorver as novidades, porque muito do que existe no mercado trata-se mais de estratégia de marketing do que de ciência. Por isso os conceitos devem ser baseados em evidências científicas e não somente em cima de marca comercial”, pondera.

Para James Nery, a escolha do sistema de implantes pelo profissional deve ser feita de forma criteriosa. Ter em mãos publicações e verificar se os lançamentos têm, pelo menos cinco anos de pesquisa clínica por meio da empresa e não apenas dos cirurgiões-dentistas são um dos cuidados que podem ser tomados antes de optar por um sistema. A explanação do simposiasta foi centrada ns conexões protéticas utilizadas em Implantodontia. As conexões podem ser internas e externas, no entanto, James destacou as internas e, dentro destas, o cone morse. “Trata-se de uma conexão impermeável que proporciona um melhor contato, quase que uma superfície única entre o intermediário e o implante, por isso deve ser de primeira escolha para a reposição de dentes unitários”, completa.

Trabalhar a forma do parafuso e a superfície de contato são itens essenciais, na opinião de Hiron, para promover estabilidade inicial melhor e, assim, a distribuição das forças mastigatórias sob o tecido ósseo. Com relação à superfície, Hiron afirma que as mais conhecidas são maquinadas, jateadas, ionizadas, plasma e spray. De acordo com ele, todas podem ser utilizadas tranqüilamente desde que obedeçam critérios em que rugosidade, quantidade de osso, tensão inicial e capacidade de molheabilidade precisam ser bem trabalhadas. “A maioria dos sistemas que estão no mercado apresentam respaldo científico bastante convincente, tanto nacional quanto internacional. O importante é que o profissional acredite e domine bem a técnica de cada sistema. Dessa forma o resultado será favorável”, assinala.

O último simposiasta a se apresentar no encontro foi Eber Stevão. Ele fez uma revisão da evolução das conexões externa e interna para implantes com respectivos hexágonos. “Para aumentar a estabilidade na interface plataforma-coroa e também facilitar a restauração completa implante-coroa, novos desenhos de conexão entre a coroa e o implante surgiram no mercado para satisfazer objetivos estéticos, funcionais e técnicas. A diversidade de componentes protéticos é grande e os questionamentos também. Estes devem ser colocados em estudo para futuros trabalhos”, afirma.

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