Curso de Prótese sobre Implante

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Prótese sobreimplantes no segmento posterior

Referenciais estéticos e funcionais – diretrizes básicas

O planejamento protético para colocação de implantes em segmentos posteriores exige toda atenção e capricho por parte do profissional face às exigências funcionais e detalhes oclusais que envolvem a restauração protética. Em consideração ao tema, talvez fosse o segmento posterior melhor definido como área de carga e o segmento anterior como área estética. Porém, ao se abordar a colocação de implantes em área de carga, o planejamento deve ser abrangente tanto do ponto de vista funcional como do ponto de vista estético, em razão do envolvimento das faces vestibulares de pré-molares e molares superiores no sorriso do paciente. SENDYK & SENDYK, 2002 estabeleceram quatro postulados que ajudam, sobremaneira, na orientação do planejamento protético:
1) o implante instalado não pode impedir a posterior confecção da peça protética por qualquer motivo;
2) os implantes osseointegrados devem estar sempre imóveis;
3) os implantes não devem apresentar dor ou desconforto;
4) o tecido ósseo ao qual se prendem deve permanecer estável através do tempo.
As expectativas do paciente que o motivam a realizar o tratamento com implantes osseointegrados são da mais variada ordem; mas, tecnicamente, pode-se centralizar no conforto em relação às próteses mucossuportadas e até mesmo a possibilidade de se ter elementos individuais em lugar de pônticos de próteses fixas. Independente do motivo apresentado, quais seriam as diretrizes que o protesista deve seguir em seus planejamentos? Como se tornar um profissional referidor de implantes e participar ativamente do planejamento dos casos clínicos? Como selecionar o sistema de implantes mais indicado a cada caso em questão? Como orientar o técnico na confecção de suas próteses sobreimplantes? Como incorporar a excelência em seus trabalhos de reabilitação oral, seja em dentes naturais ou em implantes? Estas são algumas das questões que serão abordadas neste capítulo.
Referências e parâmetros oclusais – importância do enceramento de diagnóstico

Referenciais oclusais e estéticos da futura prótese devem ser antecipados através do enceramento de diagnóstico, evitando que procedimentos protéticos sejam decididos somente depois da instalação dos implantes . O primeiro postulado acima citado, “o implante instalado não pode impedir a posterior confecção da peça protética por qualquer motivo” - destaca a importância da participação do protesista no planejamento inicial através da análise oclusal. Este será responsável na condução do caso antes – restabelecendo referenciais e parâmetros oclusais através da prótese pré-implante - e depois da instalação dos implantes quando cumprir o período necessário para a osseointegração – confeccionando a prótese sobreimplante propriamente dita.

Referenciais clínicos – escala de valores de – 10 até 10
A reabilitação sobreimplante na região posterior envolve conhecimentos de ordem funcional, estética e suas respectivas limitações anatômicas. Estabelece-se que esta fase inicial seja qualificada em preparar o paciente até o estágio “zero”, partindo-se de uma escala de -10 até o 10.
Uma vista do caso clínico, pode-se classificá-lo em um estágio de -10, face à falta de parâmetros oclusais que necessitam ser restabelecidos para o posterior planejamento da prótese sobreimplante.
Nesta etapa – a cargo do protesista – devem-se recuperar os referenciais oclusais e parâmetros neuromusculares, restabelecer a dimensão vertical e posição maxilo-mandibular de referência (relação cêntrica) e promover o enceramento de diagnóstico nestas novas condições. A substituição por próteses temporárias pré-implantes darão novos parâmetros neuromusculares ao paciente e ter-se-á mais tempo para uma resposta adaptativa a esta nova condição. Também neste estágio, através do enceramento de diagnóstico, o protesista deve definir os sítios potenciais para a colocação de implantes, preparando a guia radiográfica/tomográfica e a guia cirúrgica. O posicionamento dos implantes deve respeitar as limitações anatômicas (a serem estudadas posteriormente junto com o cirurgião) de ordem geral - como a densidade óssea - e de ordem específica - localização do canal mandibular e loja da glândula submandibular, no caso da mandíbula e a parede do seio maxilar no caso de implantes em maxila.
Como regra de excelência, “o implante deve ser o prolongamento de um dente encerado, e não o contrário”. Deve-se determinar o local do centro do implante, mantendo-o em uma zona de conforto, ou seja, a uma distância de 2,5 mm da raiz do dente adjacente e de 3,0 mm de outro implante. Desta forma, cabe ao protesista fazer o projeto das futuras raízes e/ou pônticos, mantendo estes valores mínimos e adaptando-os, da melhor maneira, ao espaço a ser reabilitado. Terminada esta etapa, perfura-se o guia no centro dos dentes planejados e prende-se material radiopaco da espessura de 0,7 mm (fio ortodôntico ou guta-percha), obedecendo a inclinação protética ideal. Toma-se uma radiografia periapical para determinar se a angulação mesio-distal em estudo não implica em riscos para raízes de dentes adjacentes podendo-se, nesta etapa, testar novas inclinações através da modificação do material radiopaco.

Este mesma guia poderá servir de parâmetros vestíbulo-lingual ao ser utilizado em exames de tomografia computadorizada. A sua localização, em cortes coronais, dará informações precisas ao cirurgião sobre a inclinação vestíbulo-lingual do implante planejado pelo protesista, as dimensões ósseas deste local (possibilitando o cálculo do diâmetro ideal do implante) bem como indicar a presença de acidentes anatômicos e regiões nobres do ponto de vista cirúrgico.
(Leia a íntegra na revista ImplantNews).



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