OCLUSÃO
EM ODONTOLOGIA RESTAURADORA
Segundo
o Dorland’s Medical Dictionary, oclusão é uma
ação de fechar ou o ato de estar fechado. Entretanto,
na odontologia oclusão tem um significado bem mais abrangente
porque estuda o relacionamento dos dentes mandibulares e maxilares
quando estão em contato funcional durante atividade
mandibular, nos movimentos cêntricos e excêntricos.
Estas atividades devem ser consideradas e estudadas em 3 planos
(frontal, sagital, horizontal) e nos movimentos da rotação
e translação da mandíbula. Dada a complexidade
do assunto uma definição mais abrangente foi
elaborada por Carlsson et al. (1989): “Oclusão é o
relacionamento estático e dinâmico entre todos
os componentes do sistema mastigatório na função
normal, na disfunção e na parafunção,
incluindo as características morfológicas e funcionais
das superfícies contactantes dos dentes opostos, a articulação
têmporomandibular, o sistema neuromuscular, deglutição
e mastigação. Faz parte do estudo da oclusão
o diagnóstico, prevenção e tratamento
das desordens funcionais do sistema mastigatório”.
Segundo Miranda (2002), a máxima intercuspidação
habitual (MIH) pode ser definida como o relacionamento de máxima
intercuspidação entre os dentes antagonistas,
independentes da posição dos côndilos.
A relação cêntrica (RC) é definida
como a relação maxilo-mandibular na qual a porção ântero-superior
dos côndilos se articula com a porção avascular
mais delgada de seus respectivos discos contra as paredes da
eminência articular (Glossary of prosthetic terms, 2005).
Esta posição independe de contatos dentais. A
relação cêntrica é conhecida também
como uma relação músculo-esqueletal, porque
na presença de contraturas ou espasmos nos músculos
mastigatórios, torna-se impossível alcançar
esta posição. Portanto, é imprescindível
o relaxamento neuromuscular do paciente como condição
prévia ao registro da relação cêntrica
(Miranda, 2002).
No estudo e entendimento da oclusão, os articuladores
são uma ferramenta muito importante, principalmente
os articuladores totalmente ajustáveis, que permitem
estudar individualmente os movimentos mandibulares nos planos
sagital, frontal e horizontal e em seguida ter uma visão
tridimensional dos movimentos. Outra vantagem do articulador é que
após a montagem dos modelos em relação
cêntrica (RC) pode-se voltar os modelos em máxima
intercuspidação habitual (MIH) e observar o deslize
em cêntrica, antigamente denominado de má oclusão
defectiva, da relação cêntrica para a habitual.
Além do estudo desta discrepância no plano horizontal
(RC?MIH), pode-se também analisar a discrepância
no plano vertical, ou seja a dimensão vertical com os
modelos em relação cêntrica e na máxima
intercuspidação habitual. Os articuladores são
também muito importantes no planejamento de próteses
fixas extensas em dentes naturais e sobre implantes. A visualização
final das próteses por meio do enceramento diagnóstico é fundamental.
Além da análise do esquema oclusal desenvolvido
sobre os modelos montados, o articulador também permite
a visualização espacial e morfofuncional do prognóstico
da reabilitação. Apenas o material será alterado,
cera no planejamento e porcelana na reabilitação
definitiva. Além disso, nada deverá ser mudado
a partir de um diagnóstico preciso e de um planejamento
adequado. Segundo Miranda (2005), os articuladores podem ser
agrupados em 4 grandes categorias:
(A) Chaneiras: Não são adequadas para se executar
uma boa odontologia restauradora, pois não aceitam registros,
não permitem movimentos excursivos e não possuem
uma distância adequada entre as esferas condilares e
os incisivos dos modelos montados.
(B) Articuladores de Valores Médios Fixos: Não
são ajustáveis, porém apresentam valores
médios, de acordo com as médias encontradas na
população. A distância intercondilar, o ângulo
de Bennett e o ângulo da eminência articular são
fixos e representam uma média da população.
Pertencem a essa categoria os modelos Shofu Hand II, New Simplex,
Bio-Art.
(C) Articuladores Semi-Ajustáveis (ASA): São
articuladores que podem ser programados ou ajustados a partir
do registro do arco facial associado aos registros inter-maxilares
da relação cêntrica (RC), movimentos de
lateralidade (ângulo de Bennett) e movimento protrusivo
(ângulo da eminência articular). São muito
versáteis, podendo ser usados tanto para restaurações
unitárias quanto reabilitações completas.
Os exemplos para essa categoria são: Bio-Art, Gnatus,
Dentflex, Whip-Mix.
(D) Articuladores Totalmente Ajustáveis: São
articuladores bastante complexos e indicados principalmente
em reabilitações extensas em pacientes com histórico
de disfunção na ATM. São muito úteis
no estudo da oclusão e trabalhos científicos,
uma vez que são capazes de analisar a oclusão
tridimensionalmente. Exemplos: Stuart, Denar, Di Pietro.
(Leia a íntegra na revista ImplantNews).
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