Revista ImplantNews
 
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  A UTILIZAÇÃO  DA PROTEÍNA MORFOGENÉTICA RECOMBINANTE SINTÉTICA TIPO 2  PARA RECONSTRUÇÃO DE MAXILA ATRÓFICA. DESCRIÇÃO DA TÉCNICA E RELATO DE UM CASO
   
 

André Zétola
Especialista em CTBMF UERJ, RJ
Mestre em Medicina HOSPAEL, SP
Pós-Graduado em Implantodontia e CTBMF Northwestern University, IL
Doutor em Implantodontia UFSC, SC
Coordenador do curso de implante do SOEPAR, PR Coordenador do Curso de Implante da SLMandic, PR.

Rafaela Larson
Graduanda em Odontologia UP, PR
Estagiária do Instituto Zétola de Odontologia, PR

   
  Introdução
 

A procura pelos implantes dentários vem aumentando significativamente nos últimos anos. Para que se possa fazer a sua instalação existe a necessidade de haver uma quantidade óssea mínima disponível, infelizmente nem sempre isso é possível. As  deficiências ósseas são advindas de diversas etiologias, oriundas principalmente de cistos e lesões endodônticas e ou periodontais, fatores iatrogênicos, pela ausência dentária e atrofia do desuso e as deformidades de desenvolvimento entre outros fatores.

A melhor solução para a perda óssea segundo a literatura é o enxerto ósseo autógeno. Entretanto existe o desconforto da remoção de um fragmento de osso de outra região do paciente, aumentando a morbidade da cirurgia  e o desconforto pós-operatório. A ciência vem buscando, cada vez mais, uma alternativa mais efetiva e de menor morbidade na reconstrução de estruturas ósseas perdidas. Em 1965 foi isolada por Urist a Proteína Óssea Morfogenética (BMP), substância capaz de induzir a transformação das células mesenquimais indiferenciadas ou, também chamadas de células totipotentes em osteoblastos secretores com intuito da realizar a neoformação óssea. As BMPs são fundamentais para a reparação das fraturas e durante o desenvolvimento do esqueleto ósseo. Também  se atribui à essa proteína a capacidade osteoindutiva do enxerto de osso autógeno e ao enxerto de matriz óssea desmineralizada do osso homógeno. Ela possui essa capacidade por se unir a específicos receptores das Células Mesenquimais Indiferenciadas (CMI) e transformá-las em células ósseo formadoras, essas proteínas  são em número   de mais de vinte diferentes tipos, mas apenas três , que são as de número 2, 6 e 9, têm comprovadamente a capacidade de induzir a migração, a proliferação e a diferenciação de CMI em osteoblastos secretores e formar osso. Através de um intenso trabalho de pesquisa na engenharia genética, conseguiram isolar a principal proteína para a regeneração óssea, a morfogenética tipo 2 (BMP-2), e derivaram sinteticamente esse componente (rhBMP-2), também chamada proteína recombinante morfogenética tipo 2 (fig. 01-A). Esta tem um grande potencial osteogênico, basicamente ela induz as células mesenquimais pluripotenciais, com capacidade para se diferenciarem em células produtoras de tecido ósseo, chamados de osteoblastos secretores (fig. 01-B). São também agentes osteoindutores, sendo produzidas no interior de diferentes células e estocadas em elementos como plaquetas. Também podem ser considerados como agentes osseocondutores, pois propor-cionam um arcabouço para o crescimento ósseo, sendo progressivamente substituídos pelo osso. Para que ela funcione no rebordo alveolar, devido à ação deletéria das próteses muco-suportadas, deve haver a presença de uma proteção mecânica. A qual pode ser  ou através de membranas com reforço de titânio, ou através de placas de titânio, ou até mesmo através de telas desse mesmo material (figs. 02 a 05).

(fig. 01-A) Célula mesenquimal indiferenciada (CMI) se unindo com a RhBMP-2

 

(fig. 01-B) CMI se combinando com a rhBMP-2 para se transformarem em um pré-osteoblasto e finalmente se transformando em um osteoblasto secretor para iniciar a neoformação óssea.

 
 
 

(fig. 03) Defeito de espessura importante; foram colocados dois implantes Straumann Sla de 3.3x12mm com uma abordagem palatinizada.

 
Relato do caso

Paciente O.S., 68 anos, portador de prótese total superior, fez a primeira consulta em julho de 2008 para reabilitação bucal com implantes dentários com queixa estética, mastigatória e fonética. Fato associado à falta de alguns elementos dentários  na arcada inferior e ausência total  na superior.

Após a avaliação clínica e através do exame das imagens, pode-se constatar uma grande atrofia maxilar do paciente (fig.06 e 07), sendo necessária uma reconstrução extensa da maxila através de enxertia óssea com osso autógeno oriundo da crista ilíaca para possibilitar uma futura implantação. Entretanto o paciente recusou esta opção devido a morbidade do tratamento. Sendo assim, optou-se pelo uso do rhBMP-2 (Infuse Bone Graft 3,2cc,   Medtronic Sofamor Danek USA, Inc), para a reconstrução da pré-maxila para substituir a área doadora.

Após quinze dias da primeira consulta, a cirurgia foi realizada no Instituto Zétola de Odontologia, Curitiba, Paraná. O paciente foi submetido à sedação endovenosa e anestesia local. Uma incisão na crista do rebordo maxilar de primeiro molar esquerdo ao mesmo dente contra-lateral com uma incisão relaxante na região entre os incisivos centrais com bisturi lâmina 15. Através do descolador de Molt foi realizado o descolamento do retalho total para exposição de toda a maxila. Através de uma broca esférica foi executada uma janela no seio maxilar (fig. 08) e a mucosa foi descolada  bilateralmente (fig. 09). Ambos os  seios maxilares foram preenchidos com material xenógeno (fig. 10 e 11) (BoneCeramic 500-1000 micrometros, Straumann, Basel Suisse). Uma placa de titânio de 1,5mm de perfil (OsteoSin, São Paulo) foi utilizada no pilar canino para formar um arcabouço (fig.09 ) para proteger a área reconstruída com a rhBMP-2 da ação  do retalho e da prótese provisória do paciente.

O material foi preparado de acordo com as recomendações do fabricante (fig. 12 a 14) e depositado abaixo das placas de titânio (fig. 15 a e b). Membranas de reabsovíveis de colágeno tipo I  (BioMend, Zimmer Dental Inc. Carlsbad, CA) foram suturadas protegendo a rhBMP-2 da invaginação  dos tecidos moles na área reconstruída (fig. 16 e 17). O retalho foi sutura foi realizada com fio vicryl 5-0.

O pós-operatório imediato cursou sem intercorrências e  após 30 dias a prótese foi desgastada e condicionada com material macio para proteger a área operada. O  paciente foi acompanhado quinzenalmente até completar 5 meses, na qual foi solicitada uma tomografia pós-operatória e pode ser observada uma melhora do rebordo ósseo alveolar tanto em espessura, quanto em altura clinica e radiograficamente (Fig. 18 a 22).


Conclusão

A rhBMP-2 atua especificamente sobre o tecido ósseo induzindo a formação deste tecido, do ligamento periodontal e do cemento radicular. A  rhBMP-2 possui infinidade de indicações e pode ser utilizada com  segurança e previsibilidade  quando há a necessidade de reparação do esqueleto ósseo e do periodonto, principalmente nos casos de reconstruções maiores.

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