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  O ARTIGO DO MÊS
 

 

 
 

 

Canullo L, Iurlaro G, Iannello G. Double-blind randomized controlled trial study on post-extraction immediately restored implants using the switching platform concept: soft tissue response. Preliminary report. Clin Oral Implants Res 2009;20:414-20.


   
 

O conceito de platform switching (plataforma expandida”, termo popularizado no Brasil, mas o que ocorre é apenas a “troca” por uma plataforma de diâmetro menor) no reposicionamento dos tecidos moles peri-implantares foi observado acidentalmente por Richard Lazzara e colaboradores. Desde então, alguns estudos têm evidenciado que a perda óssea peri-implantar mesial e distal pode ser “menor” nestes casos (a perda óssea é um fenômeno biológico que não pode ser evitada), quando comparada ao uso de plataformas convencionais (mesmo diâmetro do implante).

Neste estudo, os autores nos proporcionaram um modelo de pesquisa que fica no topo da hierarquia da evidência: o estudo randomizado controlado prospectivo duplo-cego. Os pacientes, antes de serem incluídos no estudo, possuem a mesma chance de estarem no grupo controle e experimental, ou seja, as diferenças entre sexo, idade, e outros fatores importantes são tão controladas que dificilmente comprometerão ou ocasionarão resultados falsos. Ao mesmo tempo, o número de vieses diminui.

Após a seleção de 22 pacientes (cada paciente recebeu um implante na região compreendida entre o segundo pré-molar superior direito e esquerdo, sendo os dentes extraídos atraumaticamente), os componentes de titânio — diâmetros de 3,8 mm (teste) e 5,5 mm (controle) — foram conectados. Na presença de um espaço entre o alvéolo e o implante (o que a literatura chama de jumping gap), partículas de Bio-Oss aglutinadas com sangue foram compactadas. No mesmo dia da cirurgia, uma coroa provisória foi conectada e deixada fora de função (contato oclusal). Dois meses depois, as coroas metalocerâmicas definitivas foram cimentadas. Obviamente, foram realizadas mensurações nos tecidos moles (índice de placa, profundidade de sondagem, índice de sangramento, grau de adaptação do tecido mole, e se o defeito vertical neste jumping gap havia sido restaurado completamente ou não.

Após 25 meses de acompanhamento, não foi detectado sangramento e a profundidade de sondagem permaneceu menor do que 3 mm nos grupos teste e controle. Os índices de placa foram similares e não estatisticamente diferentes. Os jumping gaps nos grupos teste e controle foram preenchidos verticalmente com 97,4% e 95,2%, respectivamente. No grupo teste, a migração apical da papila interproximal foi observada em apenas um caso. Ainda, uma leve recessão do tecido gengival (0,5 mm) foi observada em outro caso. Problemas estéticos significativos não foram relatados. No grupo controle, a migração da papila interproximal foi 0,88 mm, e a margem vestibular mostrou 0,45 mm de recessão gengival.

Embora não seja o primeiro estudo relatando a técnica platform switching, é inédito em mostrar que os pacientes não estão imunes às pequenas variações na altura da papila interproximal, e também mudanças na mucosa vestibular (mesmo na faixa dos 0,5 mm) são observadas ao longo de dois anos. Ainda, mesmo tendo grande parte dos implantes sido instalada na região dos pré-molares (16), estas alterações nos níveis mesiais e distais foram quase unânimes no grupo controle, um fator não observado no grupo com a técnica platform switching (apenas três casos).

 

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