Tem sido preconizado que a espessura mínima na tábua óssea vestibular para colocação de um implante e manutenção dos níveis ósseos e gengivais seria de 1-2 mm. Entretanto, até o momento, estudos controlados randomizados não haviam sido feitos para comprovar esta hipótese.
Assim, os autores examinaram 93 pacientes, nos quais as tábuas ósseas vestibular e lingual na região anterior e de pré-molares (zona estética) foram mensuradas. Dentes considerados inadequados para o tratamento restaurador foram extraídos, e a espessura das tábuas avaliada com um espessímetro, 1 mm apical ao nível da crista óssea alveolar. Então, os implantes foram colocados imediatamente, e o tamanho do defeito (espaço) entre as tábuas ósseas e o implante também foi mensurado. Dezesseis semanas depois, os leitos cirúrgicos foram reabertos e as mensurações realizadas novamente. Os implantes só foram colocados em função 22 semanas depois do procedimento cirúrgico.
Os resultados gerais mostraram que a espessura média na região vestibular foi de 1 mm (faixa de 0,5 mm-3 mm) e na região palatina de 1,2 mm (faixa de 0,5 mm-3,5 mm). Mais de 71% das tábuas ósseas vestibulares e 60,2% das tábuas linguais mostraram espessura entre 0,5 mm-1 mm. Para a região anterior (canino-canino) a largura média da tábua vestibular foi de 0,8 mm (faixa de 0,5 mm-2 mm) e para região posterior (pré-molares), esta mesma largura média foi de 1,1 mm (faixa de 0,5 mm-3 mm).
Um detalhe que chama atenção neste artigo: os implantes colocados nos pacientes possuíam microrroscas na região coronal, como forma de avaliar a preservação óssea na região vestibular. Desta forma, o artigo demonstrou que, numa população de 93 pacientes, apenas 6,5% dos dentes anteriores e pré-molares possuíram uma tábua óssea vestibular com espessura maior ou igual a 2 mm. Um cenário ainda pior: quando nós analisamos os números, verificamos que apenas 1 dos 39 sítios mensurados na região (incisivos e caninos) apresentou espessura vestibular igual a 2 mm.
Também, neste artigo, não foi realizada nenhuma consideração sobre o biótipo gengival do paciente. Mas em função dos números, podemos especular que havia um tecido gengival festonado e delgado.
Para finalizar: a colocação imediata dos implantes não é capaz de impedir o remodelamento da tábua óssea vestibular em humanos.
Assim, recomenda-se a colocação de enxertos de tecido mole e duro para manutenção da altura vertical do rebordo sempre que o clínico utilizar implantes imediatos visando um resultado estético melhor. |