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O ARTIGO DO MÊS

 

 

Huynh-Ba G, Pjetursson BE, Sanz M, Checchinato D, Ferrus J, Lindhe J, Lang NP. Analysis of the socket bone wall dimensions in the upper maxilla in relation to immediate implant placement. Clinical Oral Implants Res 2010;21:37-43.


Tem sido preconizado que a espessura mínima na tábua óssea vestibular para colocação de um implante e manutenção dos níveis ósseos e gengivais seria de 1-2 mm. Entretanto, até o momento, estudos controlados randomizados não haviam sido feitos para comprovar esta hipótese.

Assim, os autores examinaram 93 pacientes, nos quais as tábuas ósseas vestibular e lingual na região anterior e de pré-molares (zona estética) foram mensuradas. Dentes considerados inadequados para o tratamento restaurador foram extraídos, e a espessura das tábuas avaliada com um espessímetro, 1 mm apical ao nível da crista óssea alveolar. Então, os implantes foram colocados imediatamente, e o tamanho do defeito (espaço) entre as tábuas ósseas e o implante também foi mensurado. Dezesseis semanas depois, os leitos cirúrgicos foram reabertos e as mensurações realizadas novamente. Os implantes só foram colocados em função 22 semanas depois do procedimento cirúrgico.

Os resultados gerais mostraram que a espessura média na região vestibular foi de 1 mm (faixa de 0,5 mm-3 mm) e na região palatina de 1,2 mm (faixa de 0,5 mm-3,5 mm). Mais de 71% das tábuas ósseas vestibulares e 60,2% das tábuas linguais mostraram espessura entre 0,5 mm-1 mm. Para a região anterior (canino-canino) a largura média da tábua vestibular foi de 0,8 mm (faixa de 0,5 mm-2 mm) e para região posterior (pré-molares), esta mesma largura média foi de 1,1 mm (faixa de 0,5 mm-3 mm).

Um detalhe que chama atenção neste artigo: os implantes colocados nos pacientes possuíam microrroscas na região coronal, como forma de avaliar a preservação óssea na região vestibular. Desta forma, o artigo demonstrou que, numa população de 93 pacientes, apenas 6,5% dos dentes anteriores e pré-molares possuíram uma tábua óssea vestibular com espessura maior ou igual a 2 mm. Um cenário ainda pior: quando nós analisamos os números, verificamos que apenas 1 dos 39 sítios mensurados na região (incisivos e caninos) apresentou espessura vestibular igual a 2 mm.

Também, neste artigo, não foi realizada nenhuma consideração sobre o biótipo gengival do paciente. Mas em função dos números, podemos especular que havia um tecido gengival festonado e delgado.

Para finalizar: a colocação imediata dos implantes não é capaz de impedir o remodelamento da tábua óssea vestibular em humanos.

Assim, recomenda-se a colocação de enxertos de tecido mole e duro para manutenção da altura vertical do rebordo sempre que o clínico utilizar implantes imediatos visando um resultado estético melhor.

 

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