Revista ImplantNews
 
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  O ARTIGO DO MÊS
  Indicação do doutor Paulo Rossetti, editor científico da ImplantNews.
 
 

 

HÄLG GA, SCHMID J, HÄMMERLE CHF. Bone level changes at implants supporting crowns or fixed partial dentures with or without cantilevers. Clin Oral Implants Res 2008;19:983-990.
http://www3.interscience.wiley.com/journal/121409750/abstract


   
 

Este artigo fala das próteses sobreimplantes, com ênfase no aspecto cantiléver x perda óssea marginal peri-implantar. O cantiléver sempre foi um tabu na prótese fixa dentossuportada, ou seja, sua extensão, número e formato das unidades oclusais, a presença do arco dentário reduzido e, principalmente, como os contatos e articulação deveriam ou não ser colocados no cantiléver.
Os autores deixam claro que o objetivo primário é verificar se a presença ou não do cantiléver numa prótese fixa implantossuportada aumenta a quantidade de perda óssea peri-implantar ou as complicações técnicas, comparadas às reconstruções sem cantiléver. Aqui, o cantiléver é interpretado como fator de risco. Um fator de risco é algo que “predispõe o indivíduo ao maior risco de desenvolvimento de doenças ou fatores associados”. Estes fatores de risco (entenda-se como “chance”) são usados na Medicina e na Odontologia para prevenção. Ou seja, a melhor condição biomecânica é usar apenas pilares fixos (implantes) para suportar a prótese. Entretanto, existem áreas onde os implantes não são colocados por motivos anatômicos, cirúrgicos, etc., e daí o uso do cantiléver (extensão distal). Ainda, o objetivo secundário dos autores é verificar se o cantiléver aumenta ou não a incidência de complicações técnicas na prótese.
No total, foram comparados 54 pacientes, sendo 27 dos mesmos apresentando próteses com cantiléver, no seguinte formato: um implante e um cantiléver ou dois implantes e um cantiléver. Os cantiléveres estiveram localizados nas áreas de 2PM, 1PM e 2M tanto na maxila quanto na mandíbula. Os cantiléveres para mesial envolviam sempre o 1PM ou 2PM e na mandíbula foram detectados em nove casos (com três na maxila). Os cantiléveres para distal envolviam sempre o 2PM ou 2M e na maxila foram detectados em 10 casos (com cinco na mandíbula). Neste grupo, o período médio de observação foi de cinco anos. Todos os pacientes possuíam dentes naturais ou PPFs como antagonistas. Todas as próteses foram confeccionadas com liga nobre revestida por metalocerâmica, e cimentadas com fosfato de zinco ou ionômero de vidro.
As análises radiográficas revelaram que a mudança no nível ósseo do grupo com um implante e um cantiléver foi de 0,12mm, e no grupo de dois implantes e um cantiléver de 0,27mm. Os implantes apresentaram taxa de sobrevivência de 95,7% (duas complicações apenas: fratura) comparados ao grupo controle de 96,9% (três complicações apenas). Nas próteses fixas com cantiléver, 24 permaneceram sem complicações (quatro com falha na porcelana, uma recimentação) comparadas ao grupo controle de 26 sem complicações (uma falha).
Alguns dados dos resultados são interessantes: vale ressaltar que os implantes que fraturaram no grupo com cantiléver (2) e no controle (1) possuíam diâmetro reduzido (3,3mm). A peri-implantite só foi observada em um implante do grupo com cantiléver. A delaminação da porcelana foi observada em quatro próteses do tipo dois implantes para um cantiléver, e a descimentação no tipo um implante um cantiléver.
Assim, os autores concluíram que o cantiléver não leva a uma taxa de falha aumentada nos implantes e nas próteses, e que também não aumenta mais a perda óssea em comparação ao tratamento controle com próteses convencionais. Entretanto, as complicações técnicas podem ser observadas nas próteses com cantiléver.
Após consultarmos os autores do trabalho, descobrimos que as fraturas dos implantes ocorreram nos casos 2 e 10, que podem ser observados na tabela abaixo (o “X” representa a posição do cantiléver):

Paciente
Idade
Gênero
Tabagismo
Parafunção
Diâmetro
Comprimento
Desenho
2
70
masculino
Não
Não
3,3mm
8mm
15-X
10
69
masculino
Não
Não
3,3mm
12mm, 10mm
46-47-X

 

É interessante observar que os casos de fratura nos implantes não podem ser atribuídos à presença de parafunção, tabagismo, gênero ou comprimento dos implantes. Uma característica comum é que são cantiléveres para distal, na região do primeiro molar e do terceiro molar, onde as forças mastigatórias são maiores. Entretanto, só existem duas próteses com este desenho do caso 10 (caso 9 também 36-37-X), que não apresentou fratura dos implantes.
A delaminação das próteses (lascas que levam à perda da anatomia ou dos pontos de contato na cerâmica) poderia representar o primeiro sinal de risco à sobrevivência dos implantes. Assim, os clínicos devem se atentar para a manutenção periódica da oclusão ou confecção de uma placa oclusal.

 

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