Por trás de todo bom implantodontista existe um bom periodontista. Esta frase é tão verdadeira que sem um conhecimento científico periodontal sólido, poucos faríamos na prática clínica. Apesar das revoluções que a biologia molecular trouxe à Periodontia, o profissional nunca pode abrir mão de alguns instrumentos para exame, como a sonda periodontal de ponta fina e marcação precisa.
Certo, mas neste artigo do mês, qual a relação disto com a Implantodontia?
Um dos grandes problemas clínicos é diagnosticar a quantidade/qualidade do tecido gengival previamente à colocação dos implantes, principalmente numa situação de carregamento imediato. Empiricamente, recomenda-se que pelo menos 2 mm de tábua óssea vestibular esteja disponível para que o processo de reabsorção seja reduzido. Ainda que fosse dada preferência aos biótipos espessos, com menor probabilidade de contração tecidual e recessão mínima/inexistente na margem da futura restauração.
Até então, a única “arma” clínica usada para descobrir se o tecido era delgado ou espesso estava representada pela sonda periodontal: antes da cirurgia, se a sonda fosse vista por transparência dentro do sulco, o tecido era fino e o risco de recessão aumentado.
Agora, este trabalho simples e de aplicabilidade clínica imediata reforça o uso de um novo instrumento: o “espessímetro de gengiva”. Caro implantodontista, você pode fazê-lo na sua clínica:
- escolha um espessímetro para metal, o que você usa de rotina.
- corte as pontas do espessímetro, arredondando-as e polindo-as.
- remova a mola do espessímetro.
- pronto: um espessímetro gengival de uso imediato.
Obviamente, a mola é removida porque as pontas arredondadas do espessímetro ficam em contato com o tecido gengival e não poderão pressioná-lo. Mas quando isto ocorrerá?
Imagine que você vai fazer a extração imediata (de um dente comprometido) e não sabe quanto existe de espessura no tecido gengival remanescente. Como diagnosticar se o local está apto ao implante ou seria melhor colocar um enxerto e ganhar mais tecido para evitar uma futura recessão?
Indiretamente, os autores deste artigo acabaram reforçando o uso deste aparelho.
Entretanto, a conclusão é que o diagnóstico do biótipo periodontal não deve ser feito visualmente; tanto a sonda periodontal quanto o espessímetro de gengiva são instrumentos confiáveis. Mesmo assim, enquanto a sonda fornece um parâmetro qualitativo (tecido fino ou não), o espessímetro de cera fornece um parâmetro quantitativo (com décimos de milímetros). Clinicamente, as aplicabilidades são enormes, se estendendo à quantificação das espessuras dos enxertos de tecido livre, biomateriais, etc. |